terça-feira, fevereiro 14, 2012

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Hoje decidi escrever vindo de mim, não de quem é inventado ou utilizado, hoje sou eu, e hoje sou tudo o que me rodeia,apaixonado, um simples e apaixonado ser pela vida, apaixonado pelos versos de Alberto Caeiro, apaixonado pela minha estante que me responde, apaixonado pelo silencio que me acompanha nesta hora antes de adormecer.
Sou agora tudo o que sempre quis, tudo o que desejava ser e ter, sou hoje e agora completo, pleno, assisto ao meu presente deliciado, esquecendo o quase passado que é distante.
Mas guardo entre todas as coisas os meus objectos, coisas que não são nada, mas me lembram o que fui quando hoje já não sou.
Mas além dos livros e jogos, além do meu próprio livro sobre outro nome, o que mais me delicia é uma capa de um Jornal regional, jornal esse que se encontrava à saída de uma casa que adoro, na Harmonia, costumo sair bastante torto e deliciado com a vida, extremamente fatalista ou optimista, não me lembro como decorreu tal noite, só sei que por entre tudo o que me levou ali, foi o olhar para a capa e ver um precipício, daqueles pequenos e estreitos planaltos, que se acompanham do horizonte infinito e do eco das ondas, que lá em baixo reclamam pela vida dos que saltam.
Visto o infinito no horizonte limitado por aquela fatal depressão, as belas palavras que a seguir se seguem decoram a fotografia que faz de capa:
"Não é o fim do mundo"

Não fiz mais que a minha obrigação de bêbado, roubei o jornal que devia ser gratuito, e hoje todas as noites e dias olho esta deliciosa paisagem.
Dito isto, vou dormir, melhor nunca farei.

Vitor Marques

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