sábado, fevereiro 25, 2012

Aqui estou eu, novamente como sempre, deitado a fumar, perdendo-me pelo fumo, só, num quarto de luz amarela, leve e desarrumado, preenchido por tudo o que não faz falta, cobertores velhos sobrepostos e roupa suja acumulada na sombra, sou espectador assiduo de mim mesmo.
Assisto a tudo o que sou neste quarto e me levou até ele, dentro de uma pauta aterradora que me transportou arrastando consigo, garrafas nuas e cinzeiros derramados, olhos ensonados.
Mais um dia desperdiçado, acabado em horas tardias, cientes de um dia aterrador na manhã seguinte, mas agora, no meio do caos, sou tudo o que a vida não é.
Sobrio, ou pouco, lisonjeado pelo silencio, me retiro, da rotina ainda que devassa, me cansa a alma, alma sã que já não se encontra no meio do que era antes.
Objecto.
Ser.
Como todos.
Sou ausente de mim mesmo, director de uma peça que me foge, que continua de forma pobre e aborrecida.
Assisto e rio dos actores, são feios, tudo é feio, cheio de tédio, assim entretenho o tempo, sendo o tempo na lentidão do tédio, este que me prolonga a vida.
Ainda que feio, assisto.

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