quarta-feira, fevereiro 29, 2012

A estranheza da vida inunda-me à medida que me apercebo que ela, é algo que já mais irei compreender.
Limito-me a passar ao seu lado.

E todos nós ficamos como sempre, olhando uns para os outros, tentando compreender o real significado de estarmos a olhar uns para os outros.

sábado, fevereiro 25, 2012

Aqui estou eu, novamente como sempre, deitado a fumar, perdendo-me pelo fumo, só, num quarto de luz amarela, leve e desarrumado, preenchido por tudo o que não faz falta, cobertores velhos sobrepostos e roupa suja acumulada na sombra, sou espectador assiduo de mim mesmo.
Assisto a tudo o que sou neste quarto e me levou até ele, dentro de uma pauta aterradora que me transportou arrastando consigo, garrafas nuas e cinzeiros derramados, olhos ensonados.
Mais um dia desperdiçado, acabado em horas tardias, cientes de um dia aterrador na manhã seguinte, mas agora, no meio do caos, sou tudo o que a vida não é.
Sobrio, ou pouco, lisonjeado pelo silencio, me retiro, da rotina ainda que devassa, me cansa a alma, alma sã que já não se encontra no meio do que era antes.
Objecto.
Ser.
Como todos.
Sou ausente de mim mesmo, director de uma peça que me foge, que continua de forma pobre e aborrecida.
Assisto e rio dos actores, são feios, tudo é feio, cheio de tédio, assim entretenho o tempo, sendo o tempo na lentidão do tédio, este que me prolonga a vida.
Ainda que feio, assisto.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

http://issuu.com/fazendofazendo/docs/fazendo_61_onlinepdf
Hoje decidi escrever vindo de mim, não de quem é inventado ou utilizado, hoje sou eu, e hoje sou tudo o que me rodeia,apaixonado, um simples e apaixonado ser pela vida, apaixonado pelos versos de Alberto Caeiro, apaixonado pela minha estante que me responde, apaixonado pelo silencio que me acompanha nesta hora antes de adormecer.
Sou agora tudo o que sempre quis, tudo o que desejava ser e ter, sou hoje e agora completo, pleno, assisto ao meu presente deliciado, esquecendo o quase passado que é distante.
Mas guardo entre todas as coisas os meus objectos, coisas que não são nada, mas me lembram o que fui quando hoje já não sou.
Mas além dos livros e jogos, além do meu próprio livro sobre outro nome, o que mais me delicia é uma capa de um Jornal regional, jornal esse que se encontrava à saída de uma casa que adoro, na Harmonia, costumo sair bastante torto e deliciado com a vida, extremamente fatalista ou optimista, não me lembro como decorreu tal noite, só sei que por entre tudo o que me levou ali, foi o olhar para a capa e ver um precipício, daqueles pequenos e estreitos planaltos, que se acompanham do horizonte infinito e do eco das ondas, que lá em baixo reclamam pela vida dos que saltam.
Visto o infinito no horizonte limitado por aquela fatal depressão, as belas palavras que a seguir se seguem decoram a fotografia que faz de capa:
"Não é o fim do mundo"

Não fiz mais que a minha obrigação de bêbado, roubei o jornal que devia ser gratuito, e hoje todas as noites e dias olho esta deliciosa paisagem.
Dito isto, vou dormir, melhor nunca farei.

Vitor Marques

domingo, fevereiro 12, 2012

Nunca se havia encontrado assim, completamente só, sem perturbações ao redor, sem pessoas a passar ou barulhos do tempo lá fora.
O contentor era aquecido por um silencioso aquecedor, daqueles a barras bem baratos que as avós têm no quarto.
A luz era de silencio, ombrava com a lua por entre o gradeamento das janelas, ele, aborrecido, entretinha o tédio com o seu excesso de tempo, sem o todo do exterior, a riqueza de bilionários com notas impressas em minutos, recostado na cadeira, acendendo cigarros com segundos, a verdadeira riqueza era sua.
A mão esticada apontava o cigarro, a sombra que se reflectia na parede oposta à janela era tudo o que a mente desejava, desde pequenos passaros a cisnes, ou mesmo uma simples mão,que se deliciava na suavidade do silencio, pedaços de horas e fortunas gastas se espaçavam pela sombra brincando na parede historias infinitas, o tempo era tudo quando o nada era o desejo de ser tedio, aborrecer, viver aproveitando cada segundo como deve ser apreciado, vivendo.

À hora certa, com tudo devidamente arrumado e limpo, a porta foi aberta, o frio foi aspirado pelo nariz para absorver o gelo exterior que preenche o seu interior de tudo a que fugia,
descido o degrau, a porta é fechada e trancada, a civilização aguarda e o tempo escasseia.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Passei de pessoa quase inteligente que procura uma resposta das coisas, a um ambulante sonambulo, assistindo, já não perguntando.
Em vez de tudo o que podia procurar, vejo agora tudo o que não pergunto.
Sou um nada, talvez perdido, mas fora das coisas.
Sou o que nunca queria ser sobrio.
Mas zarolho fico, vendo mais que todos os outros,
o nada que todos querem e nada alcançam.

sábado, fevereiro 04, 2012

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Assisto como não assistia antes
na vida que aqui escrevi.
Vivia, sendo todo eu.
Hoje sou outro, perdido, observando os relógios chegarem a mais um dia.
Sou e sorrio, pleno num mundo de outros.
Sinto-me outro estrangeiro, carregando a náusea, pintando telas que não são reais para o mundo a que pertencem.
Sou vivo e adormecido.
Sorrindo para uma realidade distante.
Mas feliz, pleno, sem algo que me atinja.
Sem que a realidade me toque.

24/1/2012 Espinho grande
Sem dias a enfrentar,
sem coisas a desejar,
que Outono
que Primaveras?

Faço de uma hora meses e duvidas,
pequenas ideias são precipícios imensos,
fico perdido no inteiro ser que me não responde.

Fossem outros a viver por entre estes muros,
seriam loucos.

eu, sou imenso,
um imenso nada.