domingo, abril 29, 2012

Escreve


Escreve porque queres,
porque ninguém vai ler,
porque os sonhos são o que pensas sem que ninguém veja.
Escreve o que és,
porque ninguém te vai criticar,
porque tu és a soma de todo o teu ser,
sem nada que o contradiga,
porque a  vergonha não existe quando te mostras a ti mesmo.

Sentimentos e existir, tudo o que  te preocupa e molda na vida que não sabes viver, pesadelos que te assombram, sonhos que escondes por serem irreais, ilusões que crias com medo de desilusões, paixões e ambições tais que ao céu te transportam.
Escreve-as, para ti, para o mundo, sem aspirar ao nobel ou ao mais pequeno elogio de quem não buscas.
A vida vive, sente, ama, respira e expira, mas só tu a fazes realizar para além de ti.
Sem isso, essa forma de existir para além de ti, ainda que só para um pedaço de nada que a ti próprio apresentas, não pode existir.

Escreve, porque nada é mais belo que deixar soltar as palavras ao precipício, esse que  de nós mesmos fugimos,
enfrentamos,
e rimos,
porque não parece o meu eu a dizer aquilo.

Mas no fim,
ao reler o ridículo,
me compreendi.

O quão ridículos somos,
fugindo de nós mesmos.

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