Ao acordar oiço na rádio, ao ler o jornal, ao ouvir as pessoas a falar, quando olho em roda vejo na cara das pessoas, todos as pessoas transportam de semblante carregado a sua vida em desgraça sobre a realidade humana, sobre a politica, sobre as guerras, sobre a economia, sobre os impostos, coisas que taxam o que não se pode taxar ou mais apreciar porque até ao fim do mês vamos ser apertados porque está mau, está mau porque sim, porque a vida é assim, coisas más da vida que acontecem e nós pessoas pequenas não podemos mais fazer do que nos conformarmos em carregar o sofrer de todo o mundo que vive contra si mesmo.
Enquanto percorro as ruas pela cidade que grita um silencio de dor, encontro junto a um páteo crianças a jogar à bola, rindo e correndo, lançando a bola de um lado para o outro, gritando sonhos, jogando à bola, simplesmente isso, não choram nem compreendem o que é na realidade tudo, mas são felizes sendo o que são, sem passado antigo ou o preocupar de outra vida.
Eu, sob os raios do sol fecho os olhos e oiço o vento que é o vento, sinto o sol que é quente, oiço as crianças que são felizes, cheiro as flores que entre os prédios conspiram o seu perfume, sinto a vida que é minha, sou eu porque sim, que ali estou sem o mundo.
Ao fundo oiço o buzinar de um qualquer condutor irritado com a vida, observo as gargalhadas das crianças como quem se olha noutro ontem.
Porque me chateia tudo se ser eu, vento e sol e tudo da vida,se me faz existir como as crianças?
Ainda que por breves segundos...
Porque não sou já tudo?
Como era sentir?
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